'Sinal fica mais forte se governo tirar de si próprio', diz Alexandre Garcia
Comentarista afirma que anúncio do aumento dos impostos sobre os bancos é um sinal de que não são só os trabalhadores que vão pagar conta.
Para convencer o congresso a aprovar o ajuste fiscal, o governo aumentou imposto sobre os bancos ao mesmo tempo que decidiu voltar atrás nas medidas que endurecem o abono salarial. Em outras palavras, o governo quer mostrar que não são apenas os trabalhadores que vão pagar essa conta. Mas será que convence? Todo mundo sabe que o governo está inchado em quantidade de ministérios e em comissionados. Tirar dos banqueiros, não só dos trabalhadores, pode ser um sinal, mas o sinal fica mais forte se o governo tirar de si próprio, já que foi ele é causa e autor. Vamos ver o que o governo anuncia nesta sexta-feira (22) de tarde.
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No Congresso, as propostas deixaram governistas e oposicionistas em crise de identidade. Partido dos Trabalhadores votando contra os trabalhadores, alegam alguns petistas. Tucanos derrubando fator previdenciário do governo tucano. E petistas tendo que preservar esse fator, que tanto combateram. O DEM votando em propostas do governo que estariam no seu programa de partido. É que os fatos são mais fortes que as inclinações políticas, e isso confunde os políticos.
A gerente-geral do FMI, Christine Lagarde, na quinta, em um cenário apropriado, no Complexo do Alemão, trouxe luz para toda essa questão: ela disse que os pobres são os que mais sofrem com a indisciplina fiscal. Hóspede do Brasil, não quis ser mais franca, mas foi o bastante. Mostrou a ordem dos fatos: foi a indisciplina fiscal a causa, e o ajuste fiscal é a consequência.
Ou seja, o que é contra os trabalhadores é o desajuste fiscal, não o ajuste. O desajuste é como uma fratura. Com arrecadação e emprego caindo e o endividamento subindo, o ajuste fiscal é a redução da fratura, para o osso ir para o lugar, o que causa dor e demora para curar.
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