Edição do dia 31/03/2014
31/03/2014 09h16
- Atualizado em
31/03/2014 09h16
Alexandre Garcia sobre planos de saúde: 'Cidadão paga em dobro'
Comentarista ressalta que saúde é dever do estado, mas falta do serviço público garante faturamento das empresas privadas.
Em Brasília, no hospital público, uma paciente chegava de hospital na periferia, com indicação de hemorragia interna. Abriu-se e se descobriu um buraco na veia cava inferior. Chamou-se o cirurgião vascular, mas não havia. Dedo no buraco, dois cirurgiões tentavam grampear a origem da hemorragia, mas o material era velho e não funcionou, os fios para sutura eram impróprios. Levaram cinco horas para salvar a vida da paciente.
São histórias de diferentes lugares e tempos, com problemas semelhantes, de governos diferentes. Tudo isso para mostrar porque as pessoas procuram os planos de saúde, embora a Constituição diga que é direito de todos e dever do Estado. Procuram planos de saúde porque não confiam no serviço estatal. Por isso procuram escola privada; segurança privada.
O Estado, que arrecada muito, fica devendo o serviço público do mesmo tamanho. E o cidadão paga em dobro. A falta do serviço público garantido pela Constituição garante o faturamento das escolas privadas, da segurança privada e dos planos de saúde.