sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Polícia tem 328 mil mandados de prisão para cumprir
— Leandro Mazzini
Enquanto comemoram o sucesso da parceria entre Interpol e a PF na prisão do mensaleiro condenado Henrique Pizzolato, na Itália, as autoridades policiais brasileiras ocultam uma verdade inconveniente  no próprio território nacional. Até ontem à noite, a Justiça havia expedido 328.759 mandados de prisão para cumprimento em todo o País.

Não previnem porque nosso dinheiro é para investir em corrupção, mordomias dos parlamentares, manutenção em prédios suntuosos e ações lentas. Alexandre Garcia:


Edição do dia 07/02/2014
07/02/2014 08h59 - Atualizado em 07/02/2014 08h59

'Não é obra do acaso', diz Alexandre Garcia sobre rompimento de adutora

'É obra de cultura que não previne e faz grandes declarações de propósitos depois que acontece', diz comentarista, que relembra mais casos pelo país.

Um morto e outro em estado gravíssimo. Será que isso vai servir de alerta? Porque faz seis meses que o rompimento de uma adutora em Campo Grande, Rio de Janeiro, matou uma criança, e não serviu de alerta. Três meses depois, rompeu de novo. E sabem por quê? Adutoras antigas e sem manutenção rotineira rompem-se causando sempre problemas sérios nas cidades brasileiras de todas as regiões do país.
A água tem oxigênio que provoca oxidação, ferrugem; a água contém abrasivos, circula em alta velocidade nas adutoras. As paredes das adutoras de ferro fundido ou aço vão se desgastando, se tornando mais delgadas. Aí, a abertura mais rápida ainda provoca um golpe de aríete, porque a água não se comprime e o golpe vai em todas as direções – é aquilo que se sente no prédio quando o vizinho dá descarga no banheiro com válvula. Foi isso que arrebentou pela segunda vez a adutora em Brasília.
Além disso, as chuvas mexem com a terra, o trânsito também faz trepidar a terra onde a adutora se abriga. Portanto, isso não é acidente, não é obra do acaso, é obra de uma cultura que não previne e faz grandes declarações de propósitos depois que acontece. E acontece com água e com fogo, como agora há pouco a gente viu em São Paulo, na explosão de gás. E gás também não é a primeira vez. E todas as outras não serviram de lição, porque a cultura é muito forte, ainda que se pague com a morte.