quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Edição do dia 11/02/2015
11/02/2015 08h32 - Atualizado em 11/02/2015 09h45

'Arrogância e distância não são boa fórmula para negociar', diz Alexandre

Comentarista afirma que Planalto não consegue mais negociar com o Congresso e deixa mais difíceis as negociações difíceis, como agora.

O orçamento impositivo não foi a única derrota do governo na terça-feira (10). Houve ainda uma reforma política. A proposta apresentada não tem nada a ver com o que o governo queria. O Planalto não consegue mais negociar com o Congresso. A arrogância e distância não são uma boa fórmula para negociar com o Congresso.
Agora mesmo perderam na instalação de uma comissão para reforma política, em que o presidente – o deputado Rodrigo Maia – é do DEM e o relator é do time do novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O Governo, no momento em que trabalhou contra Eduardo Cunha, deixou de pensar: ‘E se ele ganhar?’. Um erro estratégico.
Ainda na terça o ministro Rossetto falou em estratégia de crescimento, na hora que o governo enviou um outro projeto que tende a ter dificuldades no Congresso.
Na verdade, estamos vivendo consequências de grandes erros estratégicos do governo. Apostou no consumismo e não no investimento para crescer, e o resultado é desestímulo à poupança e endividamento da população e endividamento público, que gera juros altos. Apostou nas relações internacionais com os emergentes como locomotiva do crescimento, e a recuperação está sendo liderada pela Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra. Quer crescimento e administrou a energia com base em interferências no mercado, e agora fica difícil crescer com eletricidade e combustível mais caros.
E não se sacrifica, mas impõe sacrifício: aperta do cinto da população, mas não do próprio governo, que tem tanto para cortar e reequilibrar as contas. E propõe apertos nos direitos trabalhistas, como a proposta agora enviada ao Congresso, que faz com que a vaca tussa. Arrocha os que empregam: o ministro do Trabalho falou em arrecadar mais R$ 10 bilhões neste ano, apertando a fiscalização da folha de pagamento. Na verdade, evitar a sonegação é tão bom quanto evitar a corrupção. Fazer o certo é fazer o óbvio, com humildade. Agora o governo se afasta do Congresso e ainda deixa mais difíceis as negociações difíceis, como agora.