quarta-feira, 2 de abril de 2014


Edição do dia 02/04/2014
02/04/2014 09h24 - Atualizado em 02/04/2014 09h48

Alunos só tiveram 13 dias de aula em 2014 por causa de greves na Bahia

É a quinta vez no ano que eles ficam em casa por causa da paralisação dos professores, e olha que o calendário já começou atrasado.

Na Bahia, os alunos da rede estadual não vão ter aulas nesta quarta-feira (2). É a quinta vez no ano que eles ficam em casa por causa da paralisação dos professores, e olha que o calendário já começou atrasado.
Os 900 mil estudantes da rede estadual sentem os efeitos das greves. “A gente já começou o ano atrasado e vêm essas paralisações dos professores, funcionários terceirizados, que são justas, mas acabam nos prejudicando”, diz o estudante Lucas Mateus da Silva.
O calendário deste ano só começou no dia dez de março. O atraso ainda é reflexo da greve de 2012. Em 2014 já são cinco paralisações nas escolas estaduais. Nos dias 17, 18 e 19 de março não houve aula por causa da paralisação nacional, e no dia 28, os professores suspenderam as atividades pedindo melhoria nos salários. É o mesmo motivo da paralisação de 2 de abril.
“Nós queremos um reajuste linear de 5,91, respeitando a data base que é o mês de janeiro, então de forma integral”, afirma o representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Rui Oliveira.
Este ano, na maioria das escola da rede estadual, os alunos só tiveram 13 dias de aula. A falta de contato com professores e das atividades de ensino prejudica principalmente quem vai fazer vestibular e tentar as vagas do Enem.
“Vamos aprender menos, o nosso futuro fica prejudicado”, afirma a estudante Marise Santos.
Os alunos buscam soluções para compensar a falta de aulas. “A nossa alternativa foi criar grupos de estudos. Quando não tiver aula nos encontramos no horário de aula na biblioteca aqui do lado para estudar”, explica a estudante Renata Machado.
Wesley Planzo tem estudado sozinho, mas sente falta da orientação do professor. “Esse ano vou fazer o vestibular, o Enem. E os outros alunos que estão estudando estão tendo mais qualidade, mais informações. O prejuízo quem leva somos nós”, lamenta.
A Secretaria de Educação da Bahia disse que cumpre o piso salarial do magistério desde 2009, e que por isso lamenta que os professores da rede estadual participem das greves.

Edição do dia 02/04/2014
02/04/2014 09h48 - Atualizado em 02/04/2014 09h48

Alexandre Garcia: 'Tem que ser greve contra patrão, não contra estudante'

Comentarista afirma que professores do ensino público ficam entre cobrança da sociedade e indiferença dos governos e dos políticos.

Só 13 dias de aula no ano e 900 mil estudantes prejudicados. O direito de greve é legítimo, mas de novo os alunos saem perdendo. Direito de greve é muito justo se professores são mal remunerados, e são em geral. Mas teria que ser greve contra o patrão, não contra o estudante, não contra o futuro do país.
Um futuro enfraquecido, porque construído em bases que não têm a força de uma educação de qualidade, como mostram as comparações até com outros países da América do Sul.
Um dos fatores que levam os pais a matricular os filhos em escola paga é o excesso de greves no ensino público, em todos os níveis. O contribuinte paga imposto para seus filhos terem um bom ensino, com qualidade e cumprimento de currículos, e as greves atrapalham.
E os professores do ensino público ficam entre dois fogos: a cobrança da sociedade e a indiferença dos governos e dos políticos, que não veem o ensino com a prioridade absoluta que é. Porque, afinal, só o conhecimento liberta; liberta o cidadão, liberta o eleitor.
Se estivessem realmente preocupados com o país e não com as urnas, os legisladores obrigariam os governos a quebrar o círculo vicioso do baixo salário - professor desmotivado e trocar isso pelo círculo virtuoso do professor bem formado e salário compensador. Aí sim poderíamos ter novas gerações com conhecimento e país menos preso à ignorância e à formação medíocre.