terça-feira, 4 de novembro de 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014


A vantagem de Marina começa a cair

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Não é preciso dizer muito. Os recém-divulgados números das pesquisas Datafolha e Ibope falam por si: Marina Silva atingiu o teto e começa a cair. Aos números, pois.

Na pesquisa Ibope anterior, divulgada no dia 26, há cerca de uma semana, em primeiro turno Aécio Neves tinha 19%, Marina tinha 29% e Dilma Rousseff tinha 34%. Em simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma por 45% a 36% – 9 pontos de vantagem para a candidata de oposição.

Na nova pesquisa Ibope, Dilma sobe três pontos e Marina, 4. Aécio cai 4 pontos – tinha 19% e, agora, 15%. Porém, a grande questão é o segundo turno. A vantagem de Marina sobre Dilma caiu para 7 pontos (46% a 39%). Dilma subiu 3 pontos e Marina, 1.

Na nova pesquisa Datafolha, a situação de Dilma melhorou ainda mais em relação à pesquisa anterior. No primeiro turno, só Dilma oscilou para cima (1 ponto), para 35%. Marina ficou estagnada com os mesmos 34%. Mas, no segundo turno, a vantagem de 10 pontos de Marina, caiu para 7 (48% a 41%).

Para quem lê este Blog – e acredita no que lê –, não houve surpresa. Há quatro dias, o postA única certeza é a de que o PSDB acabou já tratava de recomendar aos antipetistas fanáticos que baixassem a bola porque Dilma continua no jogo; só quem está fora, é Aécio. Naquele post foi antecipado que Marina tinha atingido o teto.

E não é a redução da comoção pela morte de Eduardo Campos que já vai cedendo lugar à racionalidade, é que Marina não diz nada ou diz premissas contraditórias. Aos poucos, conforme vai ganhando importância, as pessoas começam a leva-la a sério e a prestar atenção ao que diz e não só na imagem que forjou.

E é ai que mora o perigo. Para ela.

A posição dúbia sobre direitos dos homossexuais pegou mal, mas a posição espantosa de Marina em relação ao pré-sal e a tal “roleta bíblica” (essa senhora diz que toma decisões importantes abrindo aleatoriamente a Bíblia) assustaram até a mídia e o PSDB.

E o empresariado foi atrás.

Marida é uma fraude. E o pior é que não é uma fraude proposital. Ela acredita mesmo nas coisas que diz. Inclusive que poderia governar sem programa, sem apoio de uma base política e de um partido sólidos.

O país não entrará nessa aventura a esta altura do campeonato. Dilma está no jogo. E para vencer.

Edição do dia 28/10/2014
28/10/2014 09h10 - Atualizado em 28/10/2014 09h10

Alexandre Garcia: 'Creche é algo bem complicado, embora seja um direito'

Para comentarista, não existe dinheiro mais suado que aquela parte do trabalho de todos recolhida como tributo para que se tenham bons serviços.

Mais um caso de desperdício do dinheiro público em que os mais precisam acabam ficando sem o atendimento a que têm direito. Duas creches podem ser demolidas sem nunca terem sido inauguradas em Lagarto, no interior de Sergipe.
E se fica lá a creche pronta, mas abandonada e sem vigilância, vem bandos de gente honesta e leva tudo o que pode. Antes disso, gente altamente competente, ergueu a creche sem examinar o subsolo, o terreno, sem se importar com a qualidade da obra.
Depois, perde-se tudo, vai ser demolida e não sobra pedra sobre pedra, mas não faz mal. Afinal, é apenas o dinheiro de quem trabalhou, produziu e pagou impostos. E as crianças que precisariam da creche ficam a esperar. Isso quando não há trâmites político-burocráticos para saber que tipos de pais eleitores poderá conquistar o direito a pôr suas crianças na creche.
Como vêem, creche é algo bem complicado no Brasil, embora seja um direito constitucional há um quarto de século. E se o dinheiro é federal, vem do Brasil inteiro e é caso não só para o Ministério Público Federal, mas também para o Tribunal de Contas da União.
Ainda bem que nesta segunda-feira (28), no Jornal Nacional, a presidente garantiu que o poder executivo vai fazer a sua parte, para saber o que é feito com o dinheiro público, doa a quem doer, disse a presidente. Só para lembrar: não existe dinheiro mais suado que aquela parte do trabalho de todos, cerca de 40%, que é recolhida como tributo para que se tenham bons serviços públicos como creches para filhos de quem trabalha.
Edição do dia 04/11/2014
04/11/2014 09h29 - Atualizado em 04/11/2014 10h59

Alexandre: 'Ilusão de que saúde é direito de todos e dever do Estado'

Para comentarista Alexandre Garcia, como o Estado não cumpre dever constitucional, a cidadania foi procurar uma saída: a dos planos de saúde.

A origem dessa confusão está, de novo, no Estado brasileiro. Vamos recordar o que diz a lei maior, a Constituição: “A saúde é direito de todos e dever do Estado", artigo 196.

Como o Estado não cumpre o seu dever constitucional, a cidadania desistiu do direito e foi procurar uma saída, a dos planos de saúde. E passou a pagar por um direito que a Constituição garante como gratuito.
Gratuito mas complicado, demorado, superlotado, com filas noturnas, humilhantes, desumanas, fora do alcance para os que têm bolso que pode alcançar a mensalidade do plano de saúde. Hoje mesmo crianças doentes que são levadas às pediatrias públicas não estão encontrando pediatras na capital do país, só para citar o exemplo do que acontece.
E o Estado, que não cumpre o seu papel, estabeleceu outra divisão entre os brasileiros: dos que não têm como pagar planos de saúde e procuram o SUS e os que podem pagar, mas estão se queixando cada vez mais do serviço pago.
Não é só dos associados a queixa, é também dos médicos. Cirurgias são mal remuneradas e pagamentos demoram até três meses e, com isso, eles estão se desvinculando dos planos de saúde. E o país vai vivendo a ilusão de que saúde é direito de todos e dever do Estado.