Edição do dia 17/05/2013
17/05/2013 07h57
- Atualizado em
17/05/2013 07h57
Governo gasta R$ 11,5 mi por mês em aluguel de prédios para ministérios
Isso é só uma pequena parte da despesa para manter a superestrutura de 39 ministérios. O governo virou um inquilino de luxo em Brasília.
Ao longo dos anos, os prédios da Esplanada dos Ministérios foram divididos. Diminuíram salas, deram um jeito para acomodar mais e mais repartições, gabinetes de assessores e de novos ministros. Agora, a Esplanada está lotada. O inchaço da máquina pública obriga o Governo Federal mudar a dimensão da esplanada, que agora vai além da região central de Brasília.
Afif Domingos é, ao mesmo tempo, vice-governador de São Paulo e o mais novo ministro do governo. Ele tomou posse na semana passada. Se cargos não faltam, o mesmo não se pode dizer de gabinete.
A estrutura que vai abrigar o ministério dele, o da Micro e Pequena Empresa, só começou a ser montada na última terça-feira, e em um local inusitado: dentro do anexo do Ministério do Exército, que cedeu duas salas.
A administração federal explodiu. Conta hoje com 24 ministérios e 15 secretarias e órgãos ligados à presidência com status de ministério, entre eles, o Banco Central e a Advogacia-Geral da União, cujos titulares são considerados ministros. São 39 no total.
A esplanada - que não cabe mais em si - gera custo, e não é pouco. Sem prédios próprios, o governo se transformou em um inquilino de luxo que gasta por mês, só com aluguel para acomodar o crescimento dos ministérios e das secretarias, mais de R$ 11,5 milhões.
O campeão é o Ministério da Saúde, que paga R$ 1,8 milhão, por mês, para alugar quatro unidades em pontos diferentes da capital. O segundo aluguel mais caro da república, em Brasilia, é o da sede da Advocacia-Geral da União: R$ 1,5 milhão. Quem paga a terceira conta mais alta é o Ministério da Cultura: R$ 1,3 milhão pelo aluguel de um prédio fora da Esplanada.
O cientista político diz que o crescimento da máquina se deve ao sistema político brasileiro, que exige uma ampla coalizão de partidos. “Essa necessidade que nós temos de que o governo que, para governar, precisa do Congresso constantemente, que é a base de qualquer democracia, faz com que o governo procure atrair para si outros congressistas e partidos. Isso vai vir justamente com o crescimento de cargos, sejam ministérios ou secretarias”, afirma Valdir Pucci.
Os prédios alugados quase sempre são mais modernos e confortáveis. Já quem trabalha na Esplanada dos Ministérios às vezes tem que se amontoar. Só em um dos prédios funcionam seis ministérios, mas os funcionários dizem que dá para se acomodar. “Tem ministério que ocupa um andar, meio andar. Mas é tranquilo”, diz uma funcionária.
O prédio tem até apelido: “Torre de Babel”. Babel também no subsolo do bloco: tem uma barbearia, salão, a capela. Ainda tem um atelier de costura, onde a Antonia Moreira trabalha. “O pessoal gosta, é muito prático. No horário de almoço vai pegar ou levar, dá uma escapadinha e vai resolver o problema”, afirma a costureira.
O Ministério do Planejamento diz que os ministérios e secretarias cumprem missões estratégicas assumidas pelo governo, que constam do plano plurianual - que é aprovado pelo Congresso e define as bases das ações governamentais para um período de quatro anos.
A respeito da recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa, o ministério diz que ela foi instalada para cumprir o papel de ajudar no desenvolvimento do setor.