segunda-feira, 19 de maio de 2014

O antipetismo alavanca Aécio

Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:


Vistas de agora, parecem óbvias as razões pelas quais Dilma Rousseff (PT) perdia pontos nas pesquisas de intenções de voto e os dois principais adversários dela, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), não herdavam nada. Quem falava que a explicação era a falta de projetos, de programas e de propostas da oposição acertou. Mas não é só. Faltava outra coisa, independentemente dos erros da administração Dilma, que catalisasse eleitores em cima do muro. Neste caso, não se trata de uma referência explícita aos tucanos.

Finalmente, a razão foi encontrada: alguém precisava encarnar o antipetismo, que tem um estoque de votos de aproximadamente 30% do total. No Brasil, é muito difícil alguém, com razoável senso de equilíbrio, assumir a liderança do conservadorismo ou, para ser mais preciso, líder da direita.

Aécio Neves aceitou o desafio. A virada foi dada a partir da polêmica compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Ele iniciou com o bê-á-bá: o caminho amplo da denúncia. Botou fim ao pudor político do PSDB de se assumir como partido conservador, embora oculto atrás da sigla social-democrata. Muito além de se autodenominar presidente do agronegócio, o candidato tucano assumiu o papel de principal opositor do governo e também de adversário implacável do PT. Passou a atacar firme a presidenta Dilma, a administração dela e os petistas.

Uma grande parcela do eleitorado, do contingente de “brancos e nulos”, não estava indecisa ou desiludida. Estava sim sem porta-voz, como se observa agora.

Aécio “matou” Aécio e deu outra personalidade ao candidato. Saiu de cena o mineiro cuja imagem sempre foi a de bonzinho, cordial e sobretudo conciliador. O tucano não precisou nem ensaiar expressões faciais agressivas inexistentes no vocabulário que sempre o caracterizou como bom moço. A cirurgia plástica feita em 2013 tirou de sua face os traços de amabilidade. Além da aparência, para acompanhar o novo discurso, emergiu um opositor mais duro e menos amável. Temporariamente, ao menos, Aécio acertou ao adotar um discurso figurativo.

Esse acerto foi a alavanca de seu crescimento eleitoral. Subiu 4 pontos, de 16% para 20%, conforme registro do Datafolha. Marcou também distância em relação a Eduardo Campos, este ainda preso ao constrangimento de presidir um partido que foi da base do governo e, principalmente, por ele próprio ter sido ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula.

O ex-governador pernambucano articulou um sistema tradicional de administrar. Aliou-se a 11 partidos e a todos ofereceu um cantinho confortável no governo. Na fase eleitoral, propõe, no entanto, um socialismo disposto a aposentar “velhas figuras de Brasília”, como ele diz. Um discurso abstrato assim deixa Marina Silva, a vice, próxima ao êxtase eleitoral. Mas deixa entrever também a distância entre a palavra e a realidade.
Compartilhem para que ministro da educação incapaz saiba o que está acontecendo com a educação no Brasil. A presidenta é culpado por escolher pessoa que não está nem aí para a educação seu objetivo precípuo é estudar a maneira como bulir o dinheiro do repasse, como já aconteceu com muitos ministros por ela escolhido. Será que o PT é uma Universidade que aprende a dá golpe como aconteceu com os mensaleiros, deputado André Vargas e Petrobrás. O Brasil tem que ter um órgão para fiscalizar direto o que fazem com nosso dinheiro em todos os setores para acabar com tantos larápios. Como é mesmo aquela música do Roberto Carlos larrapêeee, não vou mais contar esta história tuturá...kkk

Edição do dia 19/05/2014
19/05/2014 09h20 - Atualizado em 19/05/2014 09h20

Falta de transporte faz professores e alunos dormirem em escola no TO

Local vira moradia dos que moram mais longe, mas não tem água, gás ou luz. Situação foi denunciada pela Defensoria Pública do estado.

Um retrato absurdo do abandono do ensino no país: no Tocantins, professor e alunos são obrigados a dormir na escola porque não há transporte. E na Escola Municipal Rural dos Matões, de Ensino Fundamental, falta de tudo, até energia elétrica.
A educação abandonada no meio do Cerrado. Escolas esquecidas na zona rural de Conceição do Tocantins. “Desde a semana passada que está sem gás”, diz uma funcionária.
Para não deixar os alunos sem merenda, o jeito é ir para o quintal e improvisar, debaixo de calor. Só assim para ter comida na mesa.
Na classe, também tem muita coisa para corrigir: a mesa do professor, as carteiras, o quadro negro. Mas é quando a aula termina que aparece o problema mais grave. Dos 18 alunos, 14 foram embora. Mas quatro permanecem na escola. Além de estudar, eles também moram na escola durante a semana.
Junto ficam um professor e a merendeira, que é mulher dele. “A gente mora muito longe daqui, uns 18 quilômetros, e não tem transporte para a gente vir. A não ser de carro. Quando ele quebra tem que vir a pé ou a cavalo. Então, somos obrigados a ficar aqui durante a semana”, afirma Leonides das Neves.
Sem estrutura nenhuma, até a higiene fica difícil. “Para a gente tomar banho tem que caçar água nos córregos lá fora, distância de quase seis quilômetros”, diz o professor.
A situação foi denunciada pela Defensoria Pública do estado. “Nós vamos oficiar o município para que adote providência, imediatamente, no sentido de regularizara situação desse grupo de alunos. Nos deixou aterrorizados. Uma situação de total abandono que esse pessoal se encontra”, afirma o defensor público Hud Rubeiro.
Quando a noite chega, o abandono piora. A escola não tem energia, uma realidade iluminada só pelo fogo. “É difícil, no século XXI passar por uma coisa dessa”, lamenta o professor.
Na hora de dormir, um cantinho da sala vira quarto das crianças. “A gente está vendo a hora do perigo de escorpião, de cobra, que é o que mais tem aqui no sertão”, ressalta o professor.
A secretária de Educação de Conceição do Tocantins diz: “Com certeza as medidas necessárias serão tomadas o mais rapidamente possível. Funcionar daquele jeito não pode, eu tenho consciência disso”.
Apesar da promessa da secretária, a prefeitura de Conceição do Tocantins não especificou quais as melhorias que serão feitas e nem deu prazos para resolver os problemas da escola