terça-feira, 18 de agosto de 2015

Edição do dia 18/08/2015
18/08/2015 10h05 - Atualizado em 18/08/2015 10h05

Governo quer limitar ações sobre tratamentos não oferecidos pelo SUS

Ministério da Saúde afirma que gastou quase R$ 839 milhões para atender decisões dos juízes para pagar tratamentos em 2014.

Uma proposta no Congresso está dando o que falar. O governo quer limitar as ações na Justiça que garantem ao paciente remédios e tratamentos que não são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.
Certamente você já ouviu falar de algum caso em que o paciente recorre à Justiça para conseguir algum medicamento. O governo quer acabar com as liminares da Justiça que determinam tratamentos não oferecidos pelo Sistema Único de Saúde.
O Ministério da Saúde disse que muitas vezes as liminares são para liberar medicamentos sem comprovação de que realmente funcionam. Para quem está doente, a história é outra. As liminares podem ser o último caminho para conseguir um atendimento.

Era um caso grave e urgente, o irmão da Rosângela Procópio teve um AVC, e precisava ser transferido para uma UTI. Não tinha leito, a saída foi a Justiça. “Foi assim que meu irmão foi atendido em UTI cardíaca, porque não tinha vaga em uma UTI neurológia, mas graças a Deus ele foi atendido, se não fosse a Justiça, talvez ele estaria morto hoje”, conta a técnica em enfermagem Rosângela Procópio.

Recorrer à Justiça é um direito que qualquer pessoa tem. O governo reconhece isso. Mas quer limitar as ações e proibir que juízes autorizem a compra de remédios caros que não tenham registro aqui no Brasil. Ainda não há um projeto de lei prevendo essa proibição, mas a proposta foi levantada na pauta negociada com o Senado na semana passada.

O Ministério da Saúde disse que gastou no ano passado quase R$ 839 milhões para atender as decisões dos juízes para bancar cirurgias, tratamentos, internações, comprar equipamentos e remédios.
Mais da metade, 53% desse dinheiro foram para isso, para compra de remédios. Dos 20 que mais apareceram nos pedidos, 11 não são registrados na Anvisa, segundo o governo, porque falta comprovar se são eficazes.
“Vira e mexe a gente recebe judicialização de produtos que são absolutamente inócuos, muitas vezes prejudiciais. Somos obrigados a comprar e distribuir. E pessoas de má fé se aproveitando desse desespero da família para fazer a judicialização e tirar recursos que poderiam estar salvando milhares de vidas para atender interesses não confessáveis”, diz o Ministro da Saúde, Arthur Chioro.

A ideia do governo é limitar também ações que mandam fazer cirurgias experimentais como alguns tipos de transplante por exemplo, que ainda não são regulamentados. “Essas também seriam disciplinadas. Se ela é experimental, nós defendemos que elas fiquem no âmbito da pesquisa experimental”, completa Arthur Chioro.

A Rosângela Procópio, que conseguiu na Justiça a UTI para o irmão, não concorda com a limitação. Porque para ela, a família deve recorrer a tudo se um médico diz que há esperança. "Ela não tem outro caminho, só a Justiça, ela tem que buscar o único caminho para ela sobreviver”, afirma.

Esse gasto milionário, divulgado pelo ministro, é apenas do Governo Federal. Não entram nessa conta as liminares que determinaram que as secretarias estaduais e municipais de saúde paguem a conta.

Existem também decisões judiciais para que planos de saúde assumam custos de tratamentos. O Bom Dia Brasil entrou em contato com a associação que representa as operadoras e não tivemos resposta.

18/08/2015 08h52 - Atualizado em 18/08/2015 08h52

Prefeita gasta milhões em reformas, mas escolas ficam sem obras no MA

Em 2013, houve duas licitações para reforma das instituições, em um valor total de R$ 3,1 mi, porém não houve obra em nenhuma das 28 previstas.

Mais um exemplo absurdo do que deve ser uma pátria educadora. Alunos do município de Bom Jardim, cidade no Oeste do Maranhão, estão vivendo momentos de angústia, quando o assunto é ir para escola.

Por lá, os sinais de desvio de dinheiro público estão por toda parte. Falta merenda e as escolas que eram para estar reformadas até hoje não receberam nada, nenhuma obra, nenhum benefício. Mas isso não parece tirar o sono da prefeita, não.

Bom Jardim, no Maranhão, tem 40 mil habitantes, um Índice de Desenvolvimento Humano entre os mais baixos do país e problemas graves na educação. Crianças estudando em lugares improvisados.
Bom Dia Brasil: Como que é a escola lá, é legal?
Aluno: É legal
Bom Dia Brasil: Não é uma casa?
Aluno: É um bar. A escola dele é um bar – o menino diz apontando para o colega do lado. A minha é uma fazenda que a diretora alugou.
Bom Dia Brasil: Isso aqui era um bar antes?
Professora: É.
Bom Dia Brasil: Aqui é o balcão?
Professora: É.

Em uma escola, as crianças estudam amontoadas na varanda.

Bom Dia Brasil: Essa escola não foi reformada recentemente?
Professora: Não.

Em 2013, houve duas licitações para reforma das escolas, em um valor total de R$ 3,1 milhões. Em um terreno, onde deveria estar uma das escolas reformadas pela empresa, só tem mato. Entrando por um caminho na área percebe-se que a escola foi derrubada.
O Bom Dia Brasil apurou que não houve reforma em nenhuma das 28 escolas previstas. E que as duas empresas que venceram as licitações só existem no papel. O sócio de uma das empresas recebeu a equipe do Bom Dia Brasil fechando a porta.

O Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando este e outros indícios de fraudes em licitações na cidade, inclusive na merenda escolar.
Bom Dia Brasil: Você merendou hoje?
Aluna: Não.
Bom Dia Brasil: Você comeu o que hoje?
Aluna: Nadinha.
Em 2013, a prefeitura fez um contrato de R$ 292 mil com 16 agricultores para complementar a merenda e incentivar a agricultura familiar. O nome de Dona Zuleide aparece como uma das fornecedoras.
Dona Zuleide: Nunca plantei nada para vender.
Bom Dia Brasil: Como que a senhora entrou nessa história?
Dona Zuleide: Aí eu não sei.

Os investigadores acreditam que nenhum dos cadastrados sejam agricultores de verdade.

A prefeita de Bom Jardim é Lidiane Leite, do PP. Ela já foi afastada duas vezes do cargo suspeita de desvio de dinheiro público, mas voltou por decisão da Justiça. Antes de eleita: “ela vendia leita”, conta uma moradora.

Depois, passou a ostentar uma rotina de luxo e badalação na internet. Em uma postagem, ela diz “eu compro o que eu quiser. Gasto sim como o que eu quero. Tô nem aí pra o que achem." E completa: "beijinho no ombro pros recalcados".
Em outra, ela diz que “deveria era comprar um carro mais luxuoso, porque o dinheiro está sobrando”.

Mas na cidade de Bom Jardim não tem nada sobrando. “O que eu tenho a falar é que está sendo investigado, você e toda a população vai ser informado do que houve”, afirma a prefeita Lidiane Leite.

“De fato, há fortes indícios de que houve, sim, desvio de recurso público. A medida que for correndo o procedimento e de fato sedimentada essa participação. Eles serão indiciados em inquérito policial, podendo responder por associação criminosa, peculato e posteriormente serem condenados na Justiça”, afirma Ronildo Rabelo Lages Silveira, delegado da Polícia Federal.
Sobre essa história da reforma das escolas, a produção do Bom Dia Brasil tentou falar com essas duas empresas que receberam o dinheiro desse município pequeno de Bom Jardim. Receberam R$ 3 milhões para fazer as obras lá.
Os donos da empresa Ecolimp não foram encontrados. O dono da empresa Zabar, outra que também recebeu dinheiro para reformar escolas no município, disse que todo o serviço foi feito.