Alexandre Garcia: 'Somos campeões mundiais em mortes no futebol'
Para analista, 'Em vez de agir sobre óbvio, escrevem em um papel obviedades para alegar que resolveram o problema', diz sobre Estatuto do Torcedor.
O Estatuto do Torcedor prevê uma série de medidas para acabar com essa violência entre as torcidas de futebol. Mas, ficou tudo no papel. Na prática, o que se vê são essas brigas
Na prática, a teoria do Estatuto do Torcedor se esfumaça entre paus e pedras. Aliás, tudo que está na lei já estava no Código Penal: arruaça, formação de quadrilha, lesões corporais, homicídio. Não é torcedor, é marginal. O Estatuto prevê até que para entrar no estádio é preciso ter ingresso. Ou seja, em vez de agir sobre o óbvio, como sempre, escrevem em um papel as obviedades para alegar que resolveram o problema. No caso, o problema é a violência entre torcidas.
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Como se sabe, a questão é bem mais ampla; é de educação, para não haver selvageria, que é o oposto de civilidade ou civilização. A desordem urbana se insere nessa descida para o pior. O que se viu neste domingo (08) é um retrato disso. O Estatuto existe há mais de 10 anos e não trouxe paz aos pais que querem levar seus filhos aos estádios. Crianças que nunca viram isso. Aí, é o tumulto que se viu: batalha entre torcedores e entre torcedores e a polícia como uma preliminar em que o esporte sai sempre perdendo mesmo antes de começar o jogo começar.
É um desperdício de energia, uma alienação em relação ao que realmente importa para a vida das pessoas. Pede-se paz nas ruas e se promove a arruaça. A raiva parece estar armazenada, esperando para aflorar a qualquer momento e aí o esporte, que deveria ser saudável, vira isso que se viu. Não custa lembrar as consequências disso: somos os campeões mundiais em mortes por causa do futebol.