quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Campos: ‘Chegou a hora de aposentar um bocado de raposas’

  • Governador classificou a política brasileira como ‘mofada, cansada e atrasada’
Biaggio Talento, Agência A Tarde (Email · Facebook · Twitter)
Publicado:
Atualizado:
SALVADOR – O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nesta terça-feira que a política brasileira precisa da aposentadoria de um “um bocado de raposas”. Falando como candidato à Presidência da República, Campos deu entrevista a uma rádio de Salvador, e mandou um recado ao PT e ao PSDB.
— Chegou a hora de a gente aposentar um bocado de raposas que já está enchendo a paciência do povo brasileiro. (Elas) têm que ir para casa para o Brasil seguir e continuar mudando — declarou, em conversa por telefone, conduzida pelo radialista Mário Kertész, da Rádio Metrópole de Salvador.
O presidente nacional do PSB, no entanto, afirmou ter consideração e amizade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB), provável adversário em 2014. Ele indicou que seu palanque agora é diferente do montado por ambos.

Ao ser indagado sobre a frase atribuída a Lula de que a aliança com Marina Silva teria sido um “soco no fígado”, Campos disse que seu “intuito não foi dar soco em ninguém”:
— (O intuito foi) construir um caminho para animar a vida pública brasileira e permitir que a população participe da eleição para não ficar com aquele negócio chato de um que diz sim e outro não.
— O PT e o PSDB deveriam estar achando até bom (a aliança), pois são dois partidos que surgiram até buscando exatamente quebrar esse tipo de polarização que nos impôs a ditadura: era MDB e Arena. Acho que ganha o debate, o cidadão.
Campos disse que o “movimento não é contra ninguém”, pois “reconhece o que aconteceu no Brasil nos últimos anos”.
— (Mas a aliança) reconhece que é preciso mudar a política, se não a gente não faz as mudanças para continuar construindo dias melhores para a vida da população.
Em relação ao fatiamento de governos motivado pelas alianças partidárias, o pré-candidato do PSB à Presidência da República disse que essa prática estaria “vencida”.
— A sociedade precisa de serviços públicos que funcionem melhor, nós não podemos permitir essa apropriação de pedaços de estado por forças política para alimentar reeleições de a, b ou c. A gente precisa racionalizar o gasto público, melhorar a qualidade do serviço público. Não é nenhum preconceito com a política (atual). Já vi o mar encher e o mar secar. Você só tem sustentação parlamentar se você tem sustentação nas ruas. E para você ter sustentação nas ruas no Brasil do futuro ou você entrega (serviços) ou ninguém aguenta mais conversa fiada.
Campos disse que os governos precisam entregar escolas funcionando, formando as crianças e jovens. Afirmou ainda que a situação da saúde é caótica.
— A prática tem que mudar para uma prática que ganhe o povo e ganhe a nova política.
Ele classificou a política brasileira como “mofada, cansada e atrasada”.
— As figurinhas são as mesmas, as mesmas cabeças, só pensam nas casquinhas, nos políticos debaixo do braço para empregar alguém que não arruma emprego na iniciativa privada para atrasar a vida do povo. O povo está pagando imposto caro, está passando três horas para ir e vir ao trabalho, tá querendo eficiência, mudança, essa política é analógica e a população está na era digital, não aguenta mais conversa não, quer velocidade.
Campos contou ter ficado emocionado no sábado, ao receber um telefonema do senador Pedro Simon (PMDB-RS).
— Eu queria estar aí (em Brasília para o anúncio da aliança), mas parabéns. Eu imagino como doutor (Miguel) Arraes (avô de Campos) estaria feliz em ver você e a Marina conseguindo uma alternativa que faz com que a gente volte a ter emoção na política brasileira — teria dito Simon

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/campos-chegou-hora-de-aposentar-um-bocado-de-raposas-10300815#ixzz3qEX9t3O8
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
aulo Celso Pereira (Email · Facebook · Twitter) Publicado:
Atualizado:
A ex-senadora Marina Silva durante entrevista ao GLOBO nesta terça-feira
Foto: Ailton de Freitas/O Globo
A ex-senadora Marina Silva durante entrevista ao GLOBO nesta terça-feira Ailton de Freitas/O Globo
BRASÍLIA - A ex-senadora Marina Silva afirmou que não criou uma aliança com o presidente do PSB, Eduardo Campos, para “urubuzar” a possível candidatura do governador de Pernambuco à Presidência da República no ano que vem. Em entrevista ao GLOBO nesta terça-feira, a líder da Rede Sustentabilidade, partido que não conseguiu obter o registro de criação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo de concorrer às eleições de 2014, reforçou o discurso de que está com Campos para somar propostas a um plano de governo. E com a aliança, a ex-senadora diz que vê um caminho para colocar fim na polarização entre PT e PSDB, que pode mudar os rumos da política no país.
- Eu e o Eduardo determinamos para nós mesmo que não queremos contaminar essa discussão com essa historia de lugar de candidaturas. Nós queremos adensar o programa. Estou aqui com esse espírito, não vim aqui para ficar urubuzando a candidatura do Eduardo. E com certeza, se ele tivesse alguma desconfiança, que eu estaria fazendo isso, ele não seria besta de ficar. Obviamente, que o que nos dispusemos foi uma aliança programática. Se ela é aprofundada não apenas no discurso mas no ponto de vista do processo e das atitudes que mostram que o que está sendo dito é aquilo que tem chance de ser feito, prosperará a aliança fática de apoio à sua candidatura. Se não for, valeu a intenção da semente - afirmou a ex-senadora, ao ser questionada se tem alguma chance de que ela se candidate à presidente da República no ano que vem.
Como parte do programa de governo que está sendo delineado com a aliança, Marina aponta que estão as “sementes da nova política brasileira”. Como repetiu várias vezes durante o discurso que fez ao lado de Campos no sábado, quando anunciou a filiação ao PSB, a ex-senadora reafirmou que o objetivo dessa estratégia é acabar com as práticas da “Velha República”.
Entre as mudanças propostas por essa nova força política, a ex-senadora aponta o fim da polarização entre PT e PSDB, o que ela aponta como algo positivo para as legendas.
- Eu e Eduardo somos aqueles que podem quebrar a polarização PT-PSDB. O que pode ser muito bom para o PT e o PSDB, porque o Brasil precisa desse distensionamento. Só eu e o Eduardo, se tivermos desprendimento, e eu acho que já tive um pouquinho em nome dessa ideia do programático, ainda que alguns queiram transgredir o gesto como se fosse vingança, eu digo que esse gesto não tem nada a ver com vingança. Isso aqui é um ato em legítima defesa da esperança. Da esperança que a gente possa ter um novo ambiente político no Brasil, onde a gente pare de imaginar que a Velha República vai governar o Brasil, essa geração jovem que está aí não merece isso - afirmou.
A aliança não é incoerente, diz Marina, apesar das diferenças entre as pautas da Rede e as do PSB, já que Eduardo Campos, que ela considera ser um “sonhador”, se dispôs a trocar e a aprender com a Rede.
- O PSB é um partido histórico que tem 60 anos e participou de todas essas lutas. Não há aqui uma incoerência com um partido de direita que não tenha nenhuma realidade fática para esse encontro. Obviamente que a Rede é uma atualização da política. Uma atualização que está acontecendo no mundo inteiro e que ninguém ainda sabe quais serão as novas estruturas e os novos processos para esse novo sujeito político que está surgindo. Agora, se o Eduardo se dispõe a trocar com a Rede e ele mesmo de forma muito humilde disse "quero aprender com a Rede, com os militantes da Rede, o PSB tem muito a aprender com a Rede". E obviamente que a Rede também tem muito a aprender - afirmou Marina.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/marina-silva-diz-que-nao-quer-urubuzar-candidatura-de-eduardo-campos-presidencia-10302556#ixzz3qEkMRC8W
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Essa Marina é o bicho, cada expressão que me tira do sério, valeu a Dilma não chega nem nos seus chinelos de palha, brincadeira ao comparar com chinele de palha.

Eduardo Bresciani, Daiene Cardoso e Bernardo Caram - O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A ex-ministra Marina Silva condenou, em entrevista ao Estado, a articulação do governo petista para impedir o surgimento da Rede. "Eu não fiz isso (filiar-se ao PSB), em hipótese alguma, por mágoa ou raiva. Fiz em legítima defesa. Em legítima defesa da democracia, de poder discutir ideias, do direito de discutir e debater propostas, o que nos estava sendo negado." Emocionada, disse que o PT, partido onde exerceu a maior parte de sua trajetória, precisa ficar atento a desvios que podem levá-lo ao autoritarismo. Ela nega desejo de se vingar do PT, mas diz que a sentença sobre sua decisão será dada pela história.
Marina diz ter agido em 'legítima defesa da democracia' - André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão
Marina diz ter agido em 'legítima defesa da democracia'
Sobre as alianças estaduais diante do novo quadro eleitoral, a ex-senadora anunciou que haverá readequações e já avisou que, por incompatibilidade de ideias, não imagina ver o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) no palanque.
Por que a sra. foi para o PSB?
Acho que é uma grande ambição, de que a política pode ser melhor, de que o Brasil possa ser melhor. É uma ambição saudável e não vou abrir mão. Foi por ela que eu saí do PT. O que passei até a decisão de conversar com o Eduardo Campos e selarmos a aliança programática não chega nem perto do sofrimento que eu passei na decisão de sair do PT. É porque eu acredito que o sonho não pode parar. A história não para. Alguém tem que continuar. É engraçado que foi muito bom poder ficar recordando esses dias todos. Quando o Lula fez o movimento no ABC e quis transformar aquele movimento em um partido político foi muito incompreendido, pelo PMDB, que dizia que iria dividir as oposições, pelos partidos marxistas-leninistas que tentavam rotulá-lo de ser um partido para fazer o jogo da direita. E de uma forma diferente, sem a força do Lula, de repente eu me vi numa situação de alguma forma parecida.
O governo Dilma foi "chavista", como a sra. teria dito, ao patrocinar o projeto que restringia a criação de novos partidos?Quando me referi à ideia do chavismo foi no espaço do comportamento político, de que não possa prosperar outra força política.
A senhora fará um acerto de contas com o PT?O PT é um dos partidos mais poderosos já existente na América Latina e eu não teria força para um acerto de contas. Eu não fiz isso, em hipótese alguma, por mágoa ou raiva. Fiz em legítima defesa. Em legítima defesa da democracia, de poder discutir ideias, do direito de discutir e debater propostas, o que nos estava sendo negado. Agora a gente tem chance de colocar para discutir o PT, o PSDB, a Rede e o PSB. Apresentem suas ideias, suas propostas para o Brasil.
Que ideias seriam essas?É preciso um governo que faça uma "desruptura", que não esteja preocupado com a reeleição. Sou contra a reeleição. As pessoas estão começando a desejar que a sociedade não decida. No Brasil não existe mais uma cultura de discutir ideias, programas. Só se discute quem vai ser o marqueteiro, aí vira um duelo de titãs de marqueteiros. Aí eles dizem: 'você é gigante, você é anão', e está decretado. Você está no Olimpo, está na planície, um é Davi, outro Golias. Agradeço a Deus porque os marqueteiros só conseguem me ver como Davi.
O PT virou autoritário?Vejo tons de incoerência. Não seria leviana em dizer que o PT já é um partido autoritário. Mas, do mesmo jeito que no começo a mudança é apenas um pequeno desvio, nós temos que ficar atentos para ver quais desvios que a gente quer que prospere e os que a gente não quer que prospere. O PT tem que ficar muito atento porque pode prosperar um desvio que não é bom para a democracia, nem para o PT nem para ninguém. E é incoerente com a biografia da maioria das pessoas que estão no PT.
O que mais decepcionou no PT?Vou começar pelo que me emociona, que foi o PT ter cumprido de fato o que sinalizou na questão da justiça social, tirar 30 milhões de pessoas da extrema pobreza. Mas, infelizmente, o PT não foi capaz de entender que não poderíamos nos conformar com a repetição do sucesso, que é estar no poder.
A sra. já disse em entrevista ao Estado que Campos, Aécio e Dilma estavam no mesmo diapasão. O que mudou agora?Eu sinto que o Eduardo está com essa disposição de sair do diapasão. Naquele momento eu me sentia sozinha e insistindo: é uma agenda, não é eleição por eleição, não é só ficar amealhando tempo de televisão, é adensar propostas, visão de país. Essas eleições não vão ser marcadas por quem tem tempo de televisão e estrutura. Essas eleições serão marcadas pelo que aconteceu em junho, por uma nova postura e o que mudou é que o Eduardo está sinalizando que ele está buscando uma nova postura. Ele estava construindo ali a candidatura dele. Agora tem algo que aconteceu, que nasceu. Passada a euforia do parto, nenê dá trabalho.
E como vão criar essa criança?Quando você faz uma aliança programática, a gente está pensando que tem uma candidatura posta e um plano de governo. Não se trata de interferir no PSB. O programa do PSB referencia um programa de governo, o programa da Rede propõe a ajudar também e fazendo uma mediação para termos um terceiro, que será o do possível candidato em 2014. Nós não estamos discutindo chapa, candidatura, eleição.
Incomoda ficar na mesma órbita de Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e Ronaldo Caiado?Não tenho nenhum constrangimento. Em primeiro lugar porque não estou como militante e filiada do PSB. Estou num diálogo para aprofundar um programa com o PSB. E obviamente que o que fazer com as suas incoerências internas cabe ao próprio PSB. Não serei eu. A história e trajetória de vida diz que Ronaldo Caiado, se a aliança prospera, ele mesmo vai pedir para sair, porque é completamente contrário às minhas ideias.
A sra. vem dizendo 'se a aliança prospera'... Não é definitiva?Eu e Eduardo não fizemos nem a primeira reunião depois daquele dia. O que sinto é uma disposição. Todas as declarações dele atestam isso e sei que ele é muito inteligente para saber a responsabilidade que pesa nos seus ombros e a contribuição histórica que pode dar.
A sra. acredita que pode transferir votos para Campos?Não acredito em transferência porque o voto não é meu, é do eleitor. O eleitor não quer ficar nessa posição de mero espectador. Quer ser protagonista, autor, mobilizador. E isso ficou claro nas manifestações agora de junho. O voto não é meu. Ou a gente convence esse cidadão, de que essa proposta é boa para o Brasil, ou ele não vai dar o voto só porque a Marina está dizendo vote no Eduardo. Só Deus e o tempo dirão se meu gesto foi para ajudar a mudar ou se foi para me vingar. Agora, para convencer os outros, a gente tem que ter o que dizer. Mas a gente está só no começo. Não tenho como objetivo de vida ser presidente. Eu tenho como objetivo de vida um País melhor.