quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Maria Rocha
Cada uma com nosso dinheiro. Quando teremos um presidente que acabe com todas as mazelas com o dinheiro do contribuinte.
Edição do dia 18/09/2013
18/09/2013 07h41 - Atualizado em 18/09/2013 08h42 Servidores no CE ganham vale-combustível que paga 600 viagens Vereadores da oposição e a população são contra o benefício. Segundo a prefeitura, não existe regra para o uso do auxílio-locomoção.
Thiago Meireles Aquiraz, CE Tweet
Mais uma polêmica em um órgão público do Ceará. Funcionários comissionados da Prefeitura de Aquiráz recebem um vale-combustível suficiente para pagar mais de 600 viagens por mês de casa para o trabalho.
Vinte e sete quilômetros separam Aquiraz de Fortaleza. De carro, a viagem leva menos de meia hora. Muitos funcionários da prefeitura moram na capital. Apesar da proximidade, os servidores com cargo de confiança recebem até R$ 4,8 mil de auxílio-locomoção. Um benefício que deixa a população indignada.
“Esse dinheiro que é gasto com combustível podia ser gasto em outra coisa”, reclama um morador.
Em um dos postos mais caros de Fortaleza, a gasolina é vendida por R$ 2,8. Com R$ 4,8 mil daria para comprar mais de 1,7 mil litros do combustível e rodar mais de 17 mil quilômetros em um carro popular. O suficiente para 634 viagens entre as duas cidades.
Segundo a prefeitura, não existe regra para o uso do auxílio-locomoção. O servidor beneficiado pode gastar o dinheiro em combustível, na manutenção do carro, para comprar um veículo novo e até em outras despesas não relacionadas ao transporte.
“Se ele usa seu veículo próprio, ele não usa apenas o combustível. O próprio veículo tem manutenção, gasto de pneus, toda a sua reparação se faz necessária”, explica o prefeito de Aquiraz, Antônio Guimarães.
Para a advogada Fernanda Mesquita Teles, especialista em Direito Administrativo, o auxílio-locomoção só deveria ser pago mediante a comprovação das despesas. “O que caracteriza o auxílio-transporte é que ele seja pago a título de indenização”, diz a advogada.
O benefício é previsto em lei municipal, contestada por vereadores da oposição. Durante uma sessão polêmica, eles apresentaram um pedido para acabar com o pagamento. Mas a proposta foi rejeitada por 12 votos a três.
“É dinheiro escorrendo pelo ralo. Todos os funcionários querem agora o auxílio-locomoção também”, conta Ney Pires, vereador da oposição.
“Se você tem uma lei que aprova o benefício, esse auxílio está embasado na lei, ele é legal. O que é ilegal é o que não está na lei, que não é o nosso caso”, justifica Maurício Matos, líder do governo.

Edição do dia 18/09/2013
18/09/2013 10h49 - Atualizado em 18/09/2013 10h50

'Diretores dos Detrans não conhecem trânsito', diz Alexandre Garcia

O comentarista de política ressalta que se o Detran usasse bem a internet, e o contribuinte não seria tão sacrificado nas filas para vistorias de veículos.

ALEXANDRE GARCIA
O problema começa por cima. Em geral, os diretores dos Detrans são políticos ou apadrinhados deles. Não conhecem trânsito e não dominam a administração do órgão, nem têm coragem de adotar nas ruas atitudes que nem sempre são simpáticas.
Como os políticos preferem simpatia à eficiência, procuram não desagradar o público infrator.
Em Brasília, um candidato a deputado fez campanha pondo plaquinhas para avisar que havia pardal a 30 metros. Não foi eleito, mas foi nomeado diretor do Detran. Por isso, evitam concursos para agentes de trânsito que resultariam em vigilância ostensiva para inibir os infratores.
Quanto à bagunça, os Detrans em sua maioria são financeiramente e administrativamente autônomos, mas não politicamente. Têm receita própria. Cobram taxas para tudo. Para sinalizar e fazer campanhas, a receita é certa. A multa é receita gorda. E deve ser aplicada em sinalização, fiscalização e educação. Se usassem bem a internet, em vez do reduzido quadro de funcionários, o contribuinte não seria tão sacrificado nas filas.
Na bagunça, há o espaço para a corrupção e para funções informais, como despachantes não credenciados e a picaretagem impera nos estacionamentos dos Detrans e nos quiosques próximos. A frouxidão da lei de trânsito tem origem política, mas a bagunça só tem uma causa: incompetência.