segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Edição do dia 04/11/2013
04/11/2013 08h44 - Atualizado em 04/11/2013 08h44

'Buraqueira acontece em pista malfeita', diz Alexandre Garcia

Comentarista fala sobre buracos em ruas e estradas do Brasil. Fazer malfeito custa mais dinheiro público, do motorista e, sobretudo, vidas.

A buraqueira acontece em pista malfeita. Agora mesmo nas férias, rodei por muita estrada no norte argentino e no norte e centro do Chile, e não vi um buraco. E olhem que por lá tem terremoto.
Aqui, o terremoto é a nossa improvisação, a cultura de fazer de qualquer jeito ou de fazer mal a primeira vez para fazer de novo e receber de novo. Ou é simplesmente um fingimento: finge-se pavimentar uma via, usando uma camadinha rápida para tirar a poeira ou evitar a lama.
A comparação entre o asfalto com buraco e o sem buraco é que um tem dois dedos de espessura; o outro tem mais de um palmo e em países que levam isso a sério, tem dois, três palmos, tem fundação, como em qualquer obra.
Não esqueço o alemão que veio para a Copa das Confederações e depois alugou um carro decidido a percorrer a Belém-Brasília. Quando o aconselharam que tivesse cuidado com os buracos, o alemão não entendeu.
Ele nunca viu buraco na vida dele, numa rua ou estrada alemã. Talvez o avô dele se lembrasse de buracos em estradas, durante a guerra, com os bombardeios aliados.
Já aqui, o que vemos é que: fazer malfeito custa mais – mais dinheiro do público, mais dinheiro do motorista que precisa consertar roda e suspensão e, sobretudo, custa vidas, que não se recuperam nunca.
Os deputados de Macapá inventaram o ciclista escolar para zona rural. Nós pagamos imposto e o governo federal tem dinheiro para pagar condução para todas as crianças que os pais não têm veículo próprio ou não têm tempo para levá-los a escola. E que esta condução seria para todas as atividades dos alunos como atividade extra curricuar, educação física que deveria ser no horário das disciplinas normais, pois perdi muito tempo fazendo esta disciplina em outro horário. Eu morava muito distante do colégio que estudada e ia fazer educação física às 15 horas e treinava handbol às 19 horas 2ª,4ª e 6ª e não estudei como deveria para passar no vestibular para medicina. Quando eu tiver 60 anos vou fazer medicina que não precisa de ENEM, que tive um ensino mediócre que não deu para eu fazer medicina porque desde criança deveria ter estudado teoria e prática nas disciplinas de biologia, química, física e o curso de medicina desde criança e não este ritual que se estuda até história do Egito.