Edição do dia 04/11/2013
04/11/2013 08h44
- Atualizado em
04/11/2013 08h44
'Buraqueira acontece em pista malfeita', diz Alexandre Garcia
Comentarista fala sobre buracos em ruas e estradas do Brasil. Fazer malfeito custa mais dinheiro público, do motorista e, sobretudo, vidas.
Aqui, o terremoto é a nossa improvisação, a cultura de fazer de qualquer jeito ou de fazer mal a primeira vez para fazer de novo e receber de novo. Ou é simplesmente um fingimento: finge-se pavimentar uma via, usando uma camadinha rápida para tirar a poeira ou evitar a lama.
A comparação entre o asfalto com buraco e o sem buraco é que um tem dois dedos de espessura; o outro tem mais de um palmo e em países que levam isso a sério, tem dois, três palmos, tem fundação, como em qualquer obra.
Não esqueço o alemão que veio para a Copa das Confederações e depois alugou um carro decidido a percorrer a Belém-Brasília. Quando o aconselharam que tivesse cuidado com os buracos, o alemão não entendeu.
Ele nunca viu buraco na vida dele, numa rua ou estrada alemã. Talvez o avô dele se lembrasse de buracos em estradas, durante a guerra, com os bombardeios aliados.
Já aqui, o que vemos é que: fazer malfeito custa mais – mais dinheiro do público, mais dinheiro do motorista que precisa consertar roda e suspensão e, sobretudo, custa vidas, que não se recuperam nunca.