quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O episódio reforça a constatação de que a regente Dilma vai ter de marcar com jeito a entrada de cada um dos 39 da orquestra, para não desafinar e agradar a todas as plateias.

Edição do dia 07/01/2015
07/01/2015 09h09 - Atualizado em 07/01/2015 09h30

'Presidente não precisa de conflito de ministério', diz Alexandre Garcia

Discordância sobre reforma agrária expõe primeira divergência pública dentro do governo. Para comentarista, discursos são para respectivos públicos. 

Em entrevista no começo da semana, a nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse que não existe mais latifúndio no Brasil. Agora o ministro do Desenvolvimento Agrário fala em latifúndio.
Depois de semanas especulando-se sobre ministério de Dilma ou ministério de Lula, agora se continua com a impressão de haver dois ministérios. Com tanto problema decorrente da política econômica dos últimos quatro anos, a presidente não precisa de conflito de ministério versus ministério.
Patrus Ananias foi o ministro do Fome Zero, de Lula; Kátia Abreu, a operosa presidente da Confederação da Agricultura, foi nomeada com a credencial de amiga da presidente. Os dois ministros têm algo em comum: a vontade, expressa em discursos e entrevistas, de dialogar para evitar a violência da invasão de terras.
Mas entre as palavras e as ações, nós sabemos que por aqui vai um abismo. Sempre houve diferenças entre o Ministério da Agricultura, encarregado de estimular a produção que sustenta as contas externas brasileiras, e os Ministérios do Meio Ambiente e da Reforma Agrária, chamado pelo eufemismo de desenvolvimento agrário.
Agora os dois pronunciaram discursos para seus respectivos públicos como aliás, sempre foi hábito do líder Lula. A ministra Kátia Abreu falou para agricultores e pecuaristas e o ministro Patrus Ananias falou para o MST e afins. O episódio reforça a constatação de que a regente Dilma vai ter de marcar com jeito a entrada de cada um dos 39 da orquestra, para não desafinar e agradar a todas as plateias.