Alexandre Garcia: 'Há muitos memoriais, mas não o do contribuinte, que tudo paga'
Comentarista afirma que manutenção dos monumentos teria que ser regular, não só depois que abre uma rachadura ou o mofo toma conta.
Brasília é um museu de arte e arquitetura a céu aberto e uma cidade tombada como patrimônio da humanidade. A manutenção dos monumentos teria que ser regular, frequente, e não só depois que abre uma rachadura ou o mofo toma conta.
Há estruturas estranhas: para transferir um piano da Sala Martins Penna para a Sala Villa Lobos, ambas no mesmo Teatro Nacional, não foi possível por dentro. Tiveram que carregar o piano em um caminhão, fazer uma grande volta na Esplanada e desembarcar do outro lado do prédio. Na Biblioteca Nacional, a falta de circulação de ar está mofando livros, mesmo no clima seco de Brasília.
E, mesmo não tendo recursos para fazer sequer a manutenção dos monumentos, inventam novos, como é o caso de um memorial para o ex-presidente João Goulart. Enquete do Correio Braziliense mostrou que a obra é desaprovada por 82%. Agora mesmo o Ministério Público mandou derrubar o tapume da obra por falta de alvará e base legal, tudo em pleno Eixo Monumental. O memorial JK, do fundador, foi feito com doações particulares, à exceção do terreno.
Há muitos memoriais, mas não o do contribuinte, que tudo paga com impostos equivalentes a cinco meses de trabalho por ano. Esse herói mereceria um monumento que, aliás, teria que ser pago por ele.
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