segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015


02/02/2015 08h35 - Atualizado em 02/02/2015 08h35

Alexandre: 'Independência entre Executivo e Legislativo é saudável'

Comentarista lembra que Renan Calheiros iguala-se a José Sarney, na tetra presidência do Senado, mas não em tempo por causa de renúncia.

Renan Calheiros iguala-se a José Sarney, na tetra presidência do Senado. Mas não em tempo de presidência: Renan teve que renunciar no meio do segundo mandato, depois de uma série de denúncias. Mas foi aprovado por seus pares, que o reconduziram mais duas vezes, com a de domingo (1º). O governo trabalhou por ele.
Na nossa república que mistura os poderes, a ministra da Agricultura voltou a ser senadora por um dia, votou em Renan e saiu rápido, porque iria casar no fim do dia e hoje volta a ser ministra do Executivo.
Na Câmara, derrota do PT e do governo maior do que calculavam. O desafiador líder do PMDB, Eduardo Cunha fez mais da metade dos votos e diz que vai ser independente sem ser oposição, sem submissão. Para o planalto, isso soa como oposição.
Ironia da história: os presidentes das duas casas têm origem no governo Collor. Renan foi ministro da Justiça e Eduardo Cunha foi convidado para a equipe econômica e foi nomeado presidente da Telerj, naquele tempo.
Os dois têm grandes poderes: de escolher o que vai ser votado, de estimular ou engavetar pedido de CPI, de escolher relatores de projetos.
A presidente Dilma não morre de amores por Eduardo Cunha, que pode até vir a ser presidente na ausência dela e do vice Michel Temer, que o apoiou discretamente. É um momento bom para lembrar que a independência entre Executivo e Legislativo é saudável para evitar autoritarismo.

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