UPA é retrato da má qualidade do serviço público, diz Alexandre Garcia
Para analista, dinheiro do povo está sendo inutilizado em obras defeituosas. 'Muitas UPAs são usadas como ponto de espera para hospitais', diz.
Um ano depois da denúncia do Tribunal de Contas da União sobre o péssimo estado de várias Unidades de Pronto Atendimento pelo país, mudou quase nada. Em quase metade das UPAs denunciadas, os responsáveis sequer responderam a cobrança por medidas urgentes, e o governo também não fez nada. Não houve punição, nem outra cobrança.
UPA é uma sigla que mais parece uma interjeição. Será que tem sido pronto atendimento mesmo, como ela quer dizer? Muitas delas não estão prontas para atender. Uma das maiores carências no Brasil é a falta de atendimento na saúde pública, que é dever constitucional do Estado.
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No entanto, o dinheiro do povo, investido em UPAs, está sendo inutilizado em prédios prontos mas não usados, mal construídos e mal equipados. Mais do que inútil, o investimento está sendo desperdiçado pela falta de manutenção.
Depois que o TCU inspecionou, a situação piorou em vez de melhorar. As obras estão cheias de defeitos. Não tiveram fiscalização e acompanhamento, há erros que prejudicam o atendimento médico, não são apenas rachaduras e goteiras como acabou de mostrar, mas janelas e portas fora do lugar. Portas por onde não passam macas, falta de acesso para cadeiras de rodas e macas, instalações erradas de gases medicinais, iluminação deficiente, equipamentos se deteriorando.
São mais um retrato do grande país do desperdício e da má qualidade do serviço público. Eram para substituir os antigos postos de saúde com ampliação do atendimento, mas muitas se limitam em ponto de espera da ambulância para o hospital público. Uma situação merecedora de todo tipo de interjeição.
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