terça-feira, 4 de novembro de 2014

Edição do dia 04/11/2014
04/11/2014 09h29 - Atualizado em 04/11/2014 10h59

Alexandre: 'Ilusão de que saúde é direito de todos e dever do Estado'

Para comentarista Alexandre Garcia, como o Estado não cumpre dever constitucional, a cidadania foi procurar uma saída: a dos planos de saúde.

A origem dessa confusão está, de novo, no Estado brasileiro. Vamos recordar o que diz a lei maior, a Constituição: “A saúde é direito de todos e dever do Estado", artigo 196.

Como o Estado não cumpre o seu dever constitucional, a cidadania desistiu do direito e foi procurar uma saída, a dos planos de saúde. E passou a pagar por um direito que a Constituição garante como gratuito.
Gratuito mas complicado, demorado, superlotado, com filas noturnas, humilhantes, desumanas, fora do alcance para os que têm bolso que pode alcançar a mensalidade do plano de saúde. Hoje mesmo crianças doentes que são levadas às pediatrias públicas não estão encontrando pediatras na capital do país, só para citar o exemplo do que acontece.
E o Estado, que não cumpre o seu papel, estabeleceu outra divisão entre os brasileiros: dos que não têm como pagar planos de saúde e procuram o SUS e os que podem pagar, mas estão se queixando cada vez mais do serviço pago.
Não é só dos associados a queixa, é também dos médicos. Cirurgias são mal remuneradas e pagamentos demoram até três meses e, com isso, eles estão se desvinculando dos planos de saúde. E o país vai vivendo a ilusão de que saúde é direito de todos e dever do Estado.

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