quarta-feira, 2 de abril de 2014


Edição do dia 02/04/2014
02/04/2014 09h48 - Atualizado em 02/04/2014 09h48

Alexandre Garcia: 'Tem que ser greve contra patrão, não contra estudante'

Comentarista afirma que professores do ensino público ficam entre cobrança da sociedade e indiferença dos governos e dos políticos.

Só 13 dias de aula no ano e 900 mil estudantes prejudicados. O direito de greve é legítimo, mas de novo os alunos saem perdendo. Direito de greve é muito justo se professores são mal remunerados, e são em geral. Mas teria que ser greve contra o patrão, não contra o estudante, não contra o futuro do país.
Um futuro enfraquecido, porque construído em bases que não têm a força de uma educação de qualidade, como mostram as comparações até com outros países da América do Sul.
Um dos fatores que levam os pais a matricular os filhos em escola paga é o excesso de greves no ensino público, em todos os níveis. O contribuinte paga imposto para seus filhos terem um bom ensino, com qualidade e cumprimento de currículos, e as greves atrapalham.
E os professores do ensino público ficam entre dois fogos: a cobrança da sociedade e a indiferença dos governos e dos políticos, que não veem o ensino com a prioridade absoluta que é. Porque, afinal, só o conhecimento liberta; liberta o cidadão, liberta o eleitor.
Se estivessem realmente preocupados com o país e não com as urnas, os legisladores obrigariam os governos a quebrar o círculo vicioso do baixo salário - professor desmotivado e trocar isso pelo círculo virtuoso do professor bem formado e salário compensador. Aí sim poderíamos ter novas gerações com conhecimento e país menos preso à ignorância e à formação medíocre.

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