Edição do dia 07/02/2014
07/02/2014 08h59
- Atualizado em
07/02/2014 08h59
'Não é obra do acaso', diz Alexandre Garcia sobre rompimento de adutora
'É obra de cultura que não previne e faz grandes declarações de propósitos depois que acontece', diz comentarista, que relembra mais casos pelo país.
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A água tem oxigênio que provoca oxidação, ferrugem; a água contém
abrasivos, circula em alta velocidade nas adutoras. As paredes das
adutoras de ferro fundido ou aço vão se desgastando, se tornando mais
delgadas. Aí, a abertura mais rápida ainda provoca um golpe de aríete,
porque a água não se comprime e o golpe vai em todas as direções – é
aquilo que se sente no prédio quando o vizinho dá descarga no banheiro
com válvula. Foi isso que arrebentou pela segunda vez a adutora em Brasília.Além disso, as chuvas mexem com a terra, o trânsito também faz trepidar a terra onde a adutora se abriga. Portanto, isso não é acidente, não é obra do acaso, é obra de uma cultura que não previne e faz grandes declarações de propósitos depois que acontece. E acontece com água e com fogo, como agora há pouco a gente viu em São Paulo, na explosão de gás. E gás também não é a primeira vez. E todas as outras não serviram de lição, porque a cultura é muito forte, ainda que se pague com a morte.
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