Alexandre Garcia: 'Termômetro que mede a seriedade do país'
Para analista, alteração da meta fiscal 'é como se o doente estivesse com 41º de uma febre que legalmente não poderia ter.
Foi um caso único, de que, segundo alegação do presidente do Congresso, uma minoria impediu a maioria de expressar o seu voto. E o que pretendia votar a maioria? Aprovar a proposta do governo que altera a meta de superávit que o governo não conseguiu cumprir.
O governo decidiu que a soma de desoneração fiscal mais aplicação no PAC é igual a superávit. Para a gente entender melhor, é como se o doente estivesse com 41º de uma febre que legalmente não poderia ter. Então, a solução foi subir a escala do termômetro, até que 37 º se igualasse a 41º.
Claro que o mercado, os investidores - nacionais ou estrangeiros - e as agências não vão acreditar nessa mágica mercurial. A mágica pode ser votada na manhã desta quarta-feira (03).
Em uma época em que o governo não pode confiar na absoluta fidelidade dos governistas, pesa sobre a cabeça de deputados e senadores o decreto do "é dando que se recebe", há pouco publicado no Diário Oficial: se não liberar a meta, não se liberam também emendas individuais de parlamentares de quase R$ 445 milhões.
Tudo isso é um termômetro que mede a seriedade do país. A previsão é de que os manifestantes sejam impedidos de entrar na nova sessão. Na mobilização pela internet, eles anunciam manifestações no gramado em frente, se não puderem entrar. E aquela senhora de quase 80 anos pode até se livrar da gravata do segurança.
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