'Todos errados: motorista, pedestre e autoridades', diz Alexandre Garcia
Números do DPVAT, de indenizações por morte no trânsito, mostram que nos últimos dois anos a média é de 162 mortes por dia quase sete por hora.
O deficiente visual idoso que é atropelado no transito de Brasília é o retrato do que acontece na maior parte das cidades brasileiras. Mas, estão todos errados: o motorista, o pedestre e as autoridades que não preparam as vias para as vidas.
A lei de trânsito é clara: todos os veículos são responsáveis pela segurança do pedestre. Diz a lei que o pedestre deve atravessar na faixa, mas, se não houver faixa, atravessar na perpendicular, quando puder. Também proíbe o pedestre de caminhar entre os veículos. E diz que o pedestre, depois de iniciada a travessia, tem preferência, mas poucos leem a lei de trânsito, embora estejamos todos no trânsito toda a vez que deixamos a porta de nossas residências.
Há um costume, em muitos lugares do Brasil, de caminhar na rua. E a maioria dos automóveis mais baratos não têm equipamento de segurança, além dos cintos, o que aumenta a gravidade dos acidentes. As vias carecem de melhor sinalização, carecem de fiscalização, de piso. Tem parada de ônibus mal localizada, isolada.
E há o álcool e o estresse dos congestionamentos, que alteram os reflexos e enterram a direção defensiva. Por isso, os números do DPVAT, de indenizações por morte no trânsito, mostram que nos últimos dois anos a média é de 162 mortes por dia. Quase sete por hora. Essa matança poderia ser evitada se não errássemos tanto no trânsito.
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