'Sem lei, a nação e o Estado perdem o rumo', afirma Alexandre Garcia
Comentarista lamenta morte de palmeirense e diz que esporte nacional é tomado como pretexto para confrontos com mortes.
Mais uma vez a rivalidade entre torcidas provocando morte. Não dá nem para chamar de torcedor, são bandidos que marcam brigas muitas vezes e provocam mortes, deixam pessoas feridas e acabam afastando famílias dos estádios.
O esporte nacional é tomado como pretexto para confrontos com mortes. Já escreveram leis sobre isso, nada adiantou, as mortes vêm aumentando. Foram 23 no ano retrasado; 30 no ano passado e já são 13 mortos neste ano. E nada indica que a selvageria vá ter fim.
Somos os campeões mundiais em mortes nas brigas de torcidas. O que não é surpresa, porque somos os campeões mundiais em homicídios, em números absolutos: mais de 150 por dia.
É parte de uma desordem geral: o tráfico usando ouro como moeda; matador seriado se vangloriando de 39 mortes em Goiânia; até Tribunal de Contas com o povo pagando treinadora pessoal de conselheiro. Vimos já assaltantes tripudiando ao postar foto com fuzis em piscina olímpica no Rio.
Sem lei, a nação e o Estado perdem o rumo. Lei, Justiça, impunidade, honestidade parecem procurar a difícil volta ao eixo, porque isso foi-se perdendo aos poucos, nas graduais concessões. E torcidas - essa parte simbólica da cultura nacional - se confrontam, de mãos e cabeças armadas, para ferir e matar. Que país é este? Como já perguntaram José de Alencar, Machado de Assis, Francelino Pereira, Affonso Romano de Santana, Legião Urbana. É um país assim que queremos?
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