quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Deveria ser responsabilidade do Ministério da Saúde que não repassa todo nosso dinheiro aos governadores.

Edição do dia 20/08/2014
20/08/2014 11h35 - Atualizado em 20/08/2014 11h35

'Falta planejamento e administração da Saúde', afirma Alexandre Garcia

Comentarista ressaltou que Saúde é responsabilidade do Estado e um direito de todos. 'É um intrincado círculo vicioso', disse.

Quem recorre às emergências dos hospitais públicos durante a madrugada sabe como é a agonia de passar horas à espera de atendimento. Mas o que ninguém imagina é ouvir das autoridades de saúde que a culpa é do paciente.
Faltam médicos porque faltam meios para eles trabalharem e porque não faltam pacientes. Mas falta planejamento e administração da Saúde. E não faltam pacientes porque falta saúde. É um intrincado círculo vicioso.
A administração culpa os médicos e outros profissionais de saúde que faltam ao trabalho. Alguns faltam, sim. E fazem mal para os pacientes e para os colegas sobrecarregados.
Mas a carência de médicos em geral é porque são desestimulados pelo desespero da falta de meios. A falta de pediatras, por exemplo, é crônica. A triste espera nas emergências é porque as poucas equipes estão ocupadas com emergências mais urgentes.
Saúde é responsabilidade do Estado e direito de todos. Mas faltam macas, camas, falta lugar para não deixar o doente em uma cadeira ou no chão. Faltam equipamentos para exames, para cirurgia, faltam reagentes, faltam remédios. Tudo isso porque falta planejamento, falta gerenciamento, porque na capital, dinheiro tem.
O mais recente argumento culpa o paciente que vem à noite e todos sabemos que os males sempre aparecem quando a noite chega. Mas nem essa desculpa funciona, porque a reportagem constata que o que falta à noite, falta durante o dia. Noite e dia, dia e noite, esse triste círculo vicioso fica girando em vão no eixo da administração pública.

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