'Mistério político é igual ao da queda do avião', diz Alexandre Garcia
Sobre o futuro das eleições, comentarista lembrou que na última eleição, Marina, candidata a vice na chapa de Eduardo, teve 20 milhões de votos.
A caixa preta do avião, onde são registradas todas as conversas entre os pilotos, foi para perícia em Brasília no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.
Destroços, gravações todos os detalhes servem de pista para explicar o que aconteceu. O exame dos danos provocados no solo e a fragmentação do avião demonstram que ele não vinha planando em uma inclinação horizontal, mas caiu em um ângulo mais próximo da vertical. Eu conversei com pilotos experientes da Força Aérea e da aviação civil e todos usam os adjetivos ‘estranho’ e ‘inusitado’, para classificar o que aconteceu.
Era um avião novo de desempenho comprovado no mundo inteiro e um modelo atualizado Citation Excel, tinha todos os instrumentos para voar em mau tempo, estava com a manutenção em dia, tinha combustível, como mostra o fogo, pilotos são treinados à exaustão para fazer arremetidas como a que foi feita, sob mau tempo. Reações que estão na medula deles.
E, no entanto, o ângulo da queda indica que o avião estolou, isto é, perdeu sustentação. É quando o ar que passa pelas asas já não sustenta o avião. Aí, ele despenca como um helicóptero. Talvez por isso os primeiros testemunhos tenham falado em queda de helicóptero.
O que causou isso? Se o emperramento de comandos por congelamento, o que é difícil, ou outra causa, a chamada caixa preta pode dar indicações. Os melhores especialistas, inclusive um professor do ITA, formam a equipe que procura o mais rápido, trazer luzes para esse mistério.
Nas eleições, a voz comum é que Marina seria cabeça de chapa. Ela que se pôs em uma posição secundária de vice, embora com intenções de votos nas pesquisas maiores que o próprio Eduardo. Há um ano, depois das ruas de junho, Marina chegou a ter 22 pontos no Ibope. A chapa Eduardo-Marina, nas últimas pesquisas, não chega à metade disso.
Aí vêm as perguntas para as quais nem governistas nem oposicionistas têm respostas hoje: se Marina subir para a cabeça da chapa, de quem tiraria votos e quais as chances de decisão em que turno? Centro-sul e Norte-Nordeste teriam tendências diferentes? Na última eleição presidencial, Marina teve 20 milhões de votos. Só pesquisas futuras vão dar indicações sobre isso, dependendo do que a coligação Eduardo-Marina decidir. Por enquanto, o mistério político é igual ao da queda do avião.
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