Edição do dia 14/07/2014
14/07/2014 11h30
- Atualizado em
14/07/2014 11h30
'Neste país, sobram leis. Falta aplicá-las', diz Alexandre Garcia
Segundo comentarista, lei para punir pegas existe há 15 anos. Além disso, prazer da moto, depois de certa velocidade passa a ser ameaça de morte.
A lei já existe há 15 anos, artigo 308 do Código de Trânsito. Prevê prisão, multa e suspensão do direito de dirigir. Mas, como em tudo, neste país, sobram leis e falta aplicá-las.
Esses rachas em que motociclistas testam suas potentes máquinas existem no Brasil inteiro, nos fins de semana. Andam tão rápido que dão sustos perigosos nos motoristas que são ultrapassados. A 200 km/h, eles são um projétil.
Na capital do país, o velódromo preferido é a BR-060, entre Brasília e Goiânia, com duas pistas e muito movimentada. Quando começou um dos jogos de 13h da Copa, um motociclista de Brasília telefonou para o amigo de Goiânia, combinando almoço para depois do jogo. Quando o jogo terminou, ele já estava na casa do amigo, em Goiânia. Fez Brasília-Goiânia, 210 quilômetros, em cerca de 80 minutos, média de quase 160 km/h.
Nessa velocidade, frenagem fica difícil e, a cada curva, o condutor precisa vencer a força centrífuga das rodas, que impede a moto de se inclinar e, ao mesmo tempo, vencer a inércia que mantém a trajetória. O risco é sair da estrada, bater em outro veículo ou bater no meio fio e, nessa velocidade, o acidente é sempre gravíssimo, resultando em geral na morte de gente no auge da atividade produtiva e com filhos ainda por criar. O prazer da moto, nos fins de semana, depois de certa velocidade, passa a ser ameaça de morte para todo mundo. E a lei de trânsito é para proteger a vida.
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