Edição do dia 26/03/2014
26/03/2014 09h45
- Atualizado em
26/03/2014 09h45
Alexandre Garcia: 'Regra do descaso, do desperdício e da burocracia'
Comentarista afirma que doações já esperam seis anos em depósito enquanto milhares de pessoas desabrigadas esperam ajuda.
Doações para uma emergência que espera seis anos - até agora. Sete mil colchões, com lençol e cobertor: quanta gente precisou nesses seis anos, quanta gente sofreu naquele abril de 2008 com a cheia do Rio Parnaíba, quando se mobilizou o país inteiro para fazer chegar a Teresina o auxílio aos desabrigados. O auxílio que agora pega poeira, traça, e não chega ao Acre, por exemplo, com três mil filtros para dar água potável a quem não tem.
Tudo isso é responsabilidade de gente que por seis anos deu as costas para a solidariedade e a caridade; gente que manteve o firme propósito de manter as doações fora do alcance de quem necessita. Como se deve chamar uma atitude dessas? Assim como falta a Rondônia, ao Pará, ao Acre, faltou em dezembro e janeiro no interior do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, por causa de chuvas.
Dirão que poderia ser pior: lembram-se dos desvios de doações em Santa Catarina em 2008, Alagoas em 2010 e Região Serrana do Rio? É outra regra, a do des: desonestidade desumana, que ainda não pegou esse estoque do Piauí - que ainda pode ter serventia. Depois dessa reportagem, digamos, preventiva.
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