Edição do dia 11/02/2014
11/02/2014 10h13
- Atualizado em
11/02/2014 10h13
'Impossível ter futuro sem valorizar o professor', diz Alexandre Garcia
Comentarista fala sobre crise na educação pública do país: 'Justiça social, desde cedo, é valorizar a escola pública, que igualaria a todos'.
Esse retrato municipal de Natal revela muito. Porque sobram e faltam professores ao mesmo tempo. Mas não sobra conteúdo; falta conteúdo. Sobram escolas malcuidadas, faltam resultados, faltam respostas, faltam estímulos salariais para professores. Em suma, falta educação pública básica. E, numa confissão, o poder público diz que pretende melhorar a qualidade de ensino.
O resultado é a evasão da escola pública e a procura do ensino privado. Quando podem, os pais tiram da escola pública e põem no colégio particular. O colégio particular pode até não ser de excelência, mas está acima da escola pública. Só que essa mudança depende do poder aquisitivo da família.
Isso não é justiça social, não ajuda a corrigir diferenças. Justiça social, desde cedo, é valorizar a escola pública, que igualaria a todos. É um tipo de apartheid, piorar, pela educação medíocre, a situação dos que não podem pagar. E como a educação liberta, a falta de uma boa educação é uma forma de escravidão.
Educação de qualidade é obrigação constitucional do estado brasileiro, bem acima da vontade dos pais. Impossível ter futuro sem valorizar o professor e a escola. País que quiser manter as diferenças, tem educação pública assim. País que se ama, é apaixonado pela educação.
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