segunda-feira, 27 de janeiro de 2014


Edição do dia 27/01/2014
27/01/2014 09h32 - Atualizado em 27/01/2014 09h32

Alexandre Garcia sobre caos em trem: 'Um ano de dignidade pisoteada'

Em 20 anos, passageiro terá perdido um ano em trânsito, diz comentarista. Marchinha de Carnaval de 60 anos atrás já falava sobre sufoco no transporte.

Nos noticiários de agora e do fim-de-semana, a gente vê aí: ônibus queimados – isso acontece quase todos os dias –, aviões que não conseguem desembarcar os passageiros, metrô com enguiço, trem que para no meio do trajeto. E mais do que as calculadas em dinheiro, as perdas mais importantes são em qualidade de vida e em tempo de vida, o que é impagável.
Quem gasta a média otimista de 1 hora e 22 minutos por dia, em 20 anos, um ano inteiro terá sido perdido em trânsito, que é lugar nenhum; não se está nem casa nem no lugar de trabalho. Um ano de vida com a dignidade pisoteada.
Nem todos tem a mesma sorte de só perder 1 hora e 22 minutos. Tem gente que sai de casa às quatro da manhã para estar no trabalho às 7h30 ou 8h. E volta para casa na mesma escuridão com que saiu.
Uma marchinha de Carnaval, refletindo um argumento usado na época na eleição presidencial, tinha a seguinte letra: "Quatro horas da manhã sai de casa o Zé Marmita, pendurado na porta do trem, Zé Marmita vai e vem”.
A marchinha é de 1953 – mais de 60 anos atrás. Quando o problema já era grave a ponto de merecer a crítica carnavalesca. Sessenta carnavais depois, o país e seus dirigentes não tiveram a capacidade de resolver o problema. Será que um dia vai ser resolvido?

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