'Vida não tem preço', diz Alexandre Garcia sobre airbag e ABS no Brasil
Comentarista lembra que o governo gasta mais de R$ 40 bilhões com hospitais e previdência por acidentes de trânsito.
Os feirantes, que são os principais clientes da Kombi, ficarão sem airbag e ABS. Mas os feirantes da Alemanha já não têm Kombi há 30 anos. A Volkswagen mexicana não fabrica mais a Kombi há 20 anos. Como tudo, isso chega atrasado aqui no Brasil.
A importância é a vida. O trânsito mata uns 200 brasileiros por dia - bem acima das estatísticas oficiais, que não contam as estradas municipais e os mortos até 90 dias depois do acidente. O airbag e o ABS salvaram 30 mil vidas nos Estados Unidos, nos últimos 20 anos.
Além disso, as resoluções do Conselho Nacional de Trânsito são de 2009 - deram três anos para a indústria automobilística se preparar - e é claro que ela está preparada. No Brasil, ela tem o dobro da lucratividade média mundial.
O ministro da Fazenda está preocupado com o aumento de preço do carro popular e com o argumento do desemprego, tudo isso acontecendo no ano eleitoral. Mas vida é mais que voto.
O airbag e ABS existem há 30 anos e no Brasil só agora vão entrar em todos os carros e ainda há resistência. Ainda se fala em airbag duplo quando carros de passeio estão saindo com seis ou mais.
E vida não tem preço. Até falando em preço, hoje o governo gasta mais de R$ 40 bilhões com hospitais e previdência por acidentes de trânsito. O ministro da Fazenda deveria considerar isso. Há 15 anos, o italiano Silvano Valentino, presidente da Fiat e da Anfavea, ao se referir à regulagem do cinto, não instalada no carro popular, me dizia: “Isso custa R$ 1,50; não entendo como vocês brasileiros medem o valor da vida pelo poder aquisitivo da pessoa”.
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